
Por si só, a Cruz não poderia explicar a fé cristã; ao contrário, seria uma tragédia, sinal do absurdo do ser. Para Paulo, a ressurreição é um dado fundamental. Sem o fato da ressurreição, a vida cristã seria simplesmente absurda.
Na morte e ressurreição de Cristo está o centro gravitacional de todo ensinamento de São Paulo: ´´Aquele que foi crucificado e que manifestou assim o imenso amor de Deus pelo homem, ressuscitou e está vivo no meio de nós´´. Este anúncio, por outro lado, ainda que enriquecido e reelaborado pelo Apóstolo, pertencia à tradição apostólica anterior a ele, o que nos mostra a fidelidade de Paulo à tradição e a comunhão com o resto da Igreja. Assim, São Paulo oferece um modelo para todos os tempos sobre como fazer teologia e como pregar. O teólogo e o pregador não criam novas visões do mundo e da vida, mas estão ao serviço da verdade transmitida, ao serviço do fato real de Cristo, da Cruz, da ressurreição.
Por outro lado, este anúncio da morte e ressurreição de Cristo continua sendo central e determinante para os cristãos hoje. Tudo isso está carregado de importantes conseqüências para nossa vida de fé: estamos chamados a participar, até no mais profundo de nosso ser, em todo o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo. A primeira conseqüência, ou o primeiro modo de expressar este testemunho, é pregar a ressurreição de Cristo como síntese do anúncio evangélico e como ponto culminante de um itinerário salvífico. Outra conseqüência é que, com a elevação de Cristo pela ressurreição, começa o anúncio do Evangelho de Cristo a todos os povos; começa o reinado de Cristo, este novo reino que não conhece outro poder que o da verdade e do amor.
Assim, a teologia da Cruz não é uma teoria; é a realidade da vida cristã. Viver na fé em Jesus Cristo, viver a verdade e o amor implica renúncias todos os dias, implica sofrimentos. O cristianismo não é o caminho da comodidade, é mais uma escalada exigente, mas iluminada pela luz de Cristo e pela grande esperança que nasce d’Ele.
O bispo de Roma, citando Santo Agostinho, afirmou que os cristãos não são poupados do sofrimento; ao contrário, a eles cabe um pouco mais, porque viver a fé é uma expressão do valor de enfrentar a vida e a história mais em profundidade. Contudo, só assim, experimentando o sofrimento, conhecemos a vida em sua profundidade, em sua beleza, na grande esperança suscitada por Cristo crucificado e ressuscitado.
Portanto, não basta levar a fé no coração; devemos confessá-la e testemunhá-la com a boca, com nossa vida, fazendo presente assim a verdade da cruz e da ressurreição em nossa história.
Papa Bento XVI, cidade do Vaticano, quarta-feira, 5 de novembro de 2008
´´ Se Cristo não ressuscitou, o cristianismo é absurdo´´
Fonte Doce Mãe de Deus
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