21 de ago. de 2015

Como Santa Rita lidou com o marido problemático

Casada contra sua inclinação com um pagão bebedor e colérico, entrando numa casa onde a esperava uma sogra que a considerava como intrusa, Santa Mônica tomou imediatamente a resolução de respeitar a mãe de seu marido como a sua própria e de fazer tudo o que pudesse para dar satisfação a seu esposo desde que não fosse contrário à lei divina, tudo sofrendo por amor de Nosso Senhor para alcançar sua conversão.
Se se encolerizava, Santa Mônica nunca respondia, e foi tão bem sucedida que as outras mulheres, habituadas a se verem castigadas por seus maridos, muito se admiravam de ver que ela nunca o era.
Ela conseguiu enfim, à força de paciência e orações, fazer inscrever Patrício – tal era o nome de seu marido – entre os catecúmenos e prepará-lo para morrer como bom cristão.
Sem dúvida, Santa Rita ouvira falar na mãe de Santo Agostinho.
Pode-se muito bem afirmá-lo porque os eremitas dos arredores de Cássia eram todos agostinianos, e celebravam as festas de Sto. Agostinho e de Santa Mônica com solenidade, fazendo o panegírico dos dois santos.
Como poderia Santa Rita, tão piedosa, não assistir a essas práticas e não se sentir profundamente comovida pelo que via e ouvia?
Como Santa Mônica, terá rezado pela conversão de seu marido; terá suportado em silêncio suas exaltações e injúrias; terá feito tudo o que dela dependia para tornar atraente sua casa, a fim de que seu marido tivesse tudo o que
podia desejar.
São coisas que se dizem e escrevem em poucas palavras, mas esposas que têm tais maridos sabem que sua paciência está submetida a dura prova e quanto é difícil contentar o marido que por um nada se irrita, blasfema, injuria, quebra o que lhe cai nas mãos e cobre de insultos grosseiros e indignos sua pobre esposa que, sob tal tempestade, ou responde com azedume ou, aterrorizada, encontra alívio nas lágrimas.

O marido de Santa Rita de Cássia tinha inimigos, por causa de seu caráter violento;
Era ofendido e procurava vingar-se; quando não podia alcançar seu objetivo, desabava em casa a tempestade e sua pobre esposa, tímida e inocente, devia suportar as consequências.
Havia então cenas violentas e brutais.
Excitado pelo vinho e pela cólera, Paulo se deixava levar por raivas loucas, quebrando tudo o que lhe caía nas mãos ou lhe oferecia resistência, apostrofando ou blasfemando ignominiosamente, fazendo assim estremecer de horror e desespero à admirável esposa.
Um dia mesmo, só a intervenção inesperada e providencial de seus pais a salvou. Mas o que não conseguem a fé e a caridade?
Santa Rita recordava as palavras do Mestre:
“Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis à montanha: Levanta-te e atira-te ao mar; e a montanha vos obedecerá”.
Tão heroica se tornara sua paciência que as vizinhas a chamavam: a mulher sem rancor.
Esta maravilhosa força moral provinha de sua oração ardente, da santa Comunhão e de sua meditação predileta da Paixão de Nosso Senhor
Jesus Cristo.
Pensando nas ingratidões, nos insultos, nos escárnios, nos golpes recebidos por Jesus inocente, leve lhe parecia a própria cruz.
O que a afligia e lhe transpassava o coração, era pensar que Paulo, seu esposo, era inimigo de Deus e que assim se encaminhava para a eterna perdição.
Para obter de Deus sua conversão, reunia às orações duras penitências. Fazia cada ano três quaresmas em vez de uma, e as quaresmas eram muito rigorosas nessa época.
Uma única refeição, e extremamente sóbria, à noite; e nada mais além da refeição.
Imaginai esta jovem, sobrecarregada de trabalho e de sofrimento, que tudo recebe em silêncio bendizendo a Deus, e não vos admireis de que, pouco a pouco, tenha conduzido seu marido a ser mais calmo, menos violento e mais compreensivo.
Injuriada sem motivo, não tinha uma palavra de ressentimento; espancada, não se queixava e era tão obediente que nem à igreja ia sem a permissão de seu brutal marido.
Mas raiou o dia em que o cordeiro triunfou do lobo…

Mas Paulo Fernando – nessa época não se levavam em conta os nomes de família das pessoas do povo –
Era homem com quem não se podia discutir nem do qual se pudesse esperar dispensa
de compromisso.
Os escritores o descrevem como um homem pervertido, violento; alguns deles supõem que já se havia mesmo envolvido em rixas; seria capaz de provocar um escândalo se Rita e seus pais não consentissem nesse casamento.
Imaginai qual foi então a consternação da pobre menina por se ver inconscientemente colocada em tal situação.
Multiplicou as penitências, esmolas e orações.
Mas Deus, que tem os seus caminhos, não escutou as suas preces ou antes, não lhe quis retirar essa cruz, porque tinha sobre ela outros desígnios.
Em compensação, concedeu-lhe outras graças, entre as quais a de ganhar a alma de seu esposo e a de dar às esposas martirizadas um flamejante exemplo de paciência heroica.
Foi assim que Rita se tornou esposa, abraçando sua cruz, e avançando no caminho de seu calvário.
Alguns autores, baseando-se numa frase do sarcófago que encerra as relíquias da santa, afirmam que o sacrifício de Rita não foi útil somente ao seu marido, mas ainda a todo o vale: veremos de que maneira.
“Os conciliadores de Jesus Cristo”
Cássia, juntamente com outros territórios, fora anexada aos domínios da Igreja Romana, que enviava governadores seus.
Mas, enquanto o Papa Gregório XI estava em Avinhão, os Gibelinos de Cássia, inimigos do governo pontifício, chamaram em seu auxílio Tomás de Chiavano, que acudiu com seus partidários, os quais não satisfeitos de expulsar o governador e os outros oficiais da Cúria Romana, cometeram graves delitos: devastação do país, roubos, homicídios, incêndios.
Parece que Paulo Fernando foi dos mais exaltados e que Rocca Porena esteve sujeita, durante algum tempo, às suas ameaças e opressões.
Após cerca de três anos de um domínio que mais podemos chamar de pilhagem, os rebeldes se submeteram de novo ao Pontífice e foram perdoados, e podemos conjeturar que foi a influência salutar de Rita que conduziu seu marido a melhores sentimentos.
Uma vez amansado o lobo, toda a povoação respirou. Assim se explica a citação de vários historiadores que dizem dos Mancini ( os pais de Rita e ela própria) que foram chamados: “Os conciliadores de Jesus Cristo”.


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